O tratamento da flacidez cutânea tem evoluído significativamente nas últimas duas décadas, acompanhando o desenvolvimento de tecnologias capazes de atuar em diferentes níveis estruturais da pele e dos tecidos subjacentes.
Nesse cenário, o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) consolidou-se como uma das tecnologias mais relevantes para estimular remodelação tecidual profunda de forma não invasiva.
Mais do que um recurso voltado apenas ao rejuvenescimento facial, o ultrassom microfocado e macrofocado passou a ser compreendido como uma tecnologia capaz de atuar na biomecânica do tecido, influenciando processos de contração e reorganização estrutural da pele.
A linha Herus HIFU, desenvolvida pela Fismatek, insere-se nesse contexto tecnológico ao explorar diferentes profundidades de tratamento e padrões de distribuição de energia para abordar a flacidez sob uma perspectiva fisiológica, estrutural e clínica.
A flacidez como um fenômeno estrutural da pele
Durante muito tempo, a flacidez foi associada apenas à redução da produção de colágeno. Atualmente, sabe-se que o processo envolve alterações mais complexas na arquitetura do tecido cutâneo.
Com o envelhecimento e com fatores metabólicos ou hormonais, ocorre:
- Desorganização das fibras de colágeno
- Redução da densidade da matriz extracelular
- Diminuição da capacidade contrátil do tecido
- Alterações no comportamento mecânico da pele
Essas mudanças fazem com que a pele apresente menor resistência à deformação e menor capacidade de retorno elástico, contribuindo para o aspecto clínico da flacidez.
Nesse contexto, tecnologias que atuam apenas superficialmente podem apresentar efeito limitado. Por isso, dispositivos capazes de atingir camadas mais profundas do tecido passaram a ganhar maior relevância na prática clínica estética.
Ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU): precisão energética em profundidade
O princípio físico do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) baseia-se na capacidade de concentrar energia ultrassônica em um ponto específico dentro do tecido.
Diferentemente de tecnologias térmicas que aquecem a pele de forma difusa, o HIFU permite que a energia atravesse as camadas superficiais com mínima interação até atingir a profundidade programada.
Essa característica possibilita trabalhar em níveis estruturais da pele, como:
- Derme profunda
- Tecido subcutâneo
A entrega controlada de energia térmica nesses níveis promove modificação local das propriedades mecânicas do tecido, desencadeando processos de remodelação tecidual progressiva.
Remodelação tecidual induzida por ultrassom
A aplicação controlada de energia ultrassônica em profundidade desencadeia uma resposta biológica semelhante a um processo de reparo tecidual.
Entre os principais eventos fisiológicos observados estão:
- Reorganização das fibras de colágeno
- Estímulo à atividade fibroblástica
- Aumento da densidade da matriz extracelular
- Melhora da integridade estrutural do tecido
Esse processo ocorre de forma progressiva ao longo das semanas subsequentes ao tratamento.
Diferentemente de intervenções que produzem efeitos imediatos e transitórios, as tecnologias baseadas em ultrassom microfocado e macrofocado estimulam processos biológicos de regeneração e reorganização estrutural, o que explica a evolução gradual dos resultados clínicos.
Flacidez corporal após emagrecimento: um novo cenário clínico
Nos últimos anos, um novo cenário clínico passou a ganhar destaque na prática estética: o aumento da flacidez corporal associada ao emagrecimento acelerado.
Esse fenômeno é frequentemente observado em pacientes que fazem uso de medicações voltadas ao controle metabólico e perda de peso, resultando em redução rápida do tecido adiposo.
Embora esse processo traga importantes benefícios metabólicos, ele pode provocar alterações na sustentação da pele, favorecendo o surgimento de flacidez em regiões como:
- Abdômen
- Braços
- Coxas
- Flancos
Nesses casos, tecnologias capazes de atuar em planos mais profundos tornam-se particularmente relevantes.
O ultrassom microfocado tem sido considerado uma abordagem eficaz nesse contexto, pois permite promover:
- Contração tecidual
- Estímulo à remodelação estrutural
- Melhora da adaptação da pele ao novo contorno corporal
Ao estimular reorganização do colágeno e fortalecer a matriz extracelular, o tratamento contribui para melhor qualidade da pele após perda de peso.
Ultrassom microfocado e macrofocado: diferenças no tratamento da flacidez
Embora frequentemente mencionados juntos, o ultrassom microfocado e macrofocado apresentam comportamentos distintos dentro do tecido.
Ultrassom microfocado
O ultrassom microfocado trabalha com PCT (pontos de coagulação térmica) altamente precisos.
Essa característica permite tratamentos direcionados em áreas onde a pele apresenta menor espessura, como:
- Face
- Região cervical
- Contorno mandibular
Ultrassom macrofocado
O ultrassom macrofocado apresenta um padrão de distribuição de energia mais amplo e profundo, sendo indicado principalmente para regiões corporais com maior volume de tecido.
Entre as áreas mais tratadas estão:
- Abdômen
- Flancos
- Coxas
- Braços
Essa diferenciação permite adaptar o tratamento às características anatômicas da região, aumentando a eficiência clínica.
O papel do HIFU na estética médica moderna
O avanço das tecnologias baseadas em ultrassom focalizado ampliou significativamente as possibilidades terapêuticas na estética médica.
Atualmente, o HIFU é estudado e aplicado não apenas para rejuvenescimento facial, mas também para:
- Melhora da qualidade da pele
- Remodelação tecidual
- Tratamento da flacidez corporal
Sistemas que oferecem controle preciso de profundidade e distribuição energética, como os dispositivos da linha Herus HIFU, contribuem para abordagens cada vez mais individualizadas e seguras.
Mais do que uma tecnologia voltada ao efeito lifting facial, o HIFU deve ser compreendido como uma ferramenta capaz de estimular processos biológicos de reorganização estrutural da pele, tanto na face quanto no corpo.
Com o aprimoramento dos dispositivos e a evolução da compreensão científica sobre seus mecanismos de ação, o ultrassom focalizado tende a ocupar um papel cada vez mais relevante nas estratégias modernas de tratamento da flacidez.
Escrito por:
Dra. Vanessa Stapani
Científico – Grupo Fismatek
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