Por Dra. Priscila Ferrari
Na estética, o primeiro passo é entender o paciente: o que incomoda, o que ele precisa e qual tecnologia faz sentido para aquela necessidade.
Aqui, na Clínica Priscila Ferrari, os tratamentos são personalizados. Antes de escolher qualquer equipamento, avaliamos a origem da queixa. É flacidez de pele, conhecida como flacidez tissular? Existe um componente muscular? Há gordura localizada contribuindo para aquele aspecto?
Essa diferença é fundamental. Muitas vezes, o que o paciente percebe como flacidez também está relacionado ao volume e ao peso da gordura localizada. E cada condição exige uma abordagem específica.
Quando identificamos que a flacidez tissular é uma das principais queixas, podemos considerar a associação do ultrassom microfocado Herus 4D com a radiofrequência microagulhada Axcel RFM100.
Essas tecnologias oferecem estímulos complementares. O ultrassom microfocado atua em profundidades selecionadas, buscando melhorar a firmeza e a sustentação dos tecidos. Já a radiofrequência microagulhada entrega energia por meio de microagulhas, contribuindo para a remodelação do colágeno e a melhora da textura e da qualidade da pele.
É o que eu gosto de chamar de “academia da pele”: oferecemos estímulos planejados, e o organismo responde ao longo do tempo, com a participação dos fibroblastos, células envolvidas na produção de colágeno e elastina.
Mas, assim como em uma academia, precisamos respeitar a intensidade, o intervalo e a recuperação. A sinergia está em combinar os estímulos adequados para cada paciente, respeitando a capacidade de resposta da sua pele.
O objetivo é construir o que chamamos de “banco de colágeno”: favorecer a renovação e a manutenção da estrutura que dá firmeza e qualidade à pele.
Porque um tratamento bem indicado começa com uma boa avaliação. A tecnologia vem depois, escolhida para cuidar daquilo que você realmente precisa.
Depois de avaliar o paciente e identificar a presença de flacidez tissular, ou seja, flacidez de pele, nós iniciamos esse tratamento com um protocolo personalizado. É nessa etapa que definimos as regiões que vamos tratar e os parâmetros de cada tecnologia.
No nosso protocolo, sempre associamos o Herus 4D ao Axcel RFM100 na mesma sessão. Começamos pelo ultrassom e, logo em seguida, seguimos para a radiofrequência microagulhada.
Eu gosto de explicar que o Herus 4D trabalha “de dentro para fora”, porque entrega estímulos em profundidades específicas, conforme a ponteira selecionada.
Essa escolha depende da anatomia, da espessura da pele e da quantidade de gordura na região que vamos tratar. O percentual de gordura corporal ajuda a compor a avaliação, mas precisamos entender, principalmente, como os tecidos estão distribuídos naquele local.
Nos tratamentos corporais, podemos trabalhar com estratégias microfocadas e, quando há indicação, associar o ultrassom macrofocado. Já em pacientes com pouca gordura, esse planejamento exige atenção especial para preservar os volumes e direcionar o estímulo aos tecidos que queremos tratar.
Na face e na papada, seguimos o mesmo princípio: avaliamos a gordura, a flacidez tissular e as estruturas da região para escolher as ponteiras e profundidades indicadas para aquela área.
Após a sessão do Herus 4D, seguimos para o Axcel RFM100. Nessa etapa, unimos a ação das microagulhas à energia da radiofrequência para estimular a remodelação do colágeno e melhorar a qualidade da pele.
Aqui, a personalização continua. A ponteira, a profundidade das agulhas, a energia e a sucção são ajustadas à região tratada e às características dos tecidos. Cada escolha precisa ter um objetivo.
O intervalo entre as sessões também faz parte do tratamento. A pele precisa de tempo para se recuperar e responder aos estímulos, e cada paciente tem uma individualidade.
No protocolo que realizamos na Clínica Priscila Ferrari, trabalhamos com intervalos de 30 a 40 dias entre as sessões, reavaliando a recuperação e a resposta dos tecidos antes de cada aplicação. Em cada sessão, seguimos a mesma sequência: primeiro o Herus 4D e, logo em seguida, o Axcel RFM100.
O planejamento geralmente contempla de três a quatro sessões, conforme o grau de flacidez tissular e a evolução de cada paciente. Por isso, o acompanhamento é essencial durante todo o tratamento.
Também orientamos o paciente sobre o período de recuperação, o chamado downtime. Especialmente após a radiofrequência microagulhada, é necessário evitar a exposição solar direta na região tratada, manter a fotoproteção e seguir os cuidados prescritos.
Com o Axcel RFM100, podemos ainda integrar estratégias da estética regenerativa, incluindo o drug delivery, quando indicado. Essa abordagem utiliza os microcanais para favorecer a entrega de ativos, selecionando formulações estéreis, apropriadas para essa via e compatíveis com o procedimento, com o objetivo de apoiar a recuperação e melhorar a qualidade da pele.
A nossa academia da pele envolve estímulo, recuperação e acompanhamento. E é nessa integração que eu vejo uma nova era da estética: a estética regenerativa, que valoriza o cuidado com os tecidos e busca uma pele com mais qualidade, firmeza e aparência jovial, preservando a naturalidade de cada paciente.


Agora, quero mostrar como esse planejamento se traduz nos resultados dos nossos pacientes.
Neste primeiro caso, a paciente, de 46 anos, apresentava uma flacidez tissular importante no abdômen, associada a estrias que surgiram durante a gestação. Era uma queixa que a acompanhava havia quase 20 anos.
Na avaliação, identificamos que a principal alteração era a flacidez da pele. Construímos, então, um protocolo personalizado, que, neste caso, contemplou seis sessões de ultrassom microfocado Herus 4D e quatro sessões de radiofrequência microagulhada Axcel RFM100.
Na comparação das imagens, podemos observar uma melhora expressiva do aspecto da pele, com redução das dobras e do enrugamento abdominal. Também percebemos uma melhora do contorno ao redor do umbigo, suavizando aquele aspecto conhecido como “umbigo triste”, além de uma melhora na aparência das estrias.
Esse caso mostra por que olhamos para a qualidade da pele como um todo: a queixa era a flacidez, mas também buscamos melhorar a textura e o aspecto das marcas que incomodavam essa paciente havia tantos anos.
No nosso segundo caso, temos uma paciente de 61 anos que já havia realizado uma cirurgia para retirar o excesso de pele na região femoral medial bilateral. Mesmo após o procedimento, ela continuava incomodada com a sobra de pele e aquele aspecto enrugado.
Com o envelhecimento, ocorrem alterações no colágeno e na elastina que contribuem para a perda de firmeza e elasticidade. Por isso, além de avaliar o excesso de pele, precisamos olhar para a qualidade desse tecido.
No protocolo da Clínica Priscila Ferrari, realizamos três sessões de ultrassom microfocado Herus 4D e três sessões de radiofrequência microagulhada Axcel RFM100.
Na comparação das imagens, observamos uma melhora expressiva da aparência da pele, com suavização das dobras e do aspecto enrugado na região femoral medial bilateral.
E um dos grandes diferenciais dessa abordagem é trabalhar a qualidade da pele sem uma nova cirurgia e sem novas incisões cirúrgicas.
São duas pacientes, com idades, histórias e necessidades diferentes. É por isso que a avaliação e a personalização são fundamentais: buscamos melhorar a qualidade da pele, respeitando as características e a resposta de cada paciente.
