Dra. Estela Sant’Ana
Hoje convido você e a ler esse texto que explora as evidências científicas que sustentam o uso do ultrassom micro e macrofocado, desvendando as verdades sobre seus mecanismos de ação, eficácia clínica e os cuidados essenciais para mitigar riscos e complicações.
ESTÁ BEM ESTABELECIDO NA LITERATURA CIENTÍFICA QUE O ULTRASSOM MICROFOCADO (UMF)
- Estimula a produção de colágeno e elastina: O tratamento cria zonas de coagulação térmica (TCPs) que induzem a denaturação do colágeno, desencadeando uma resposta de cicatrização natural que resulta na síntese de novo colágeno e fibras de elastina. Estudos mostram que o UMF aumenta significativamente a espessura dérmica e a densidade de fibras elásticas, melhorando a firmeza e a elasticidade da pele.
- Atinge camadas profundas, incluindo o SMAS: Diferente de lasers que atuam superficialmente, o UMF consegue entregar energia em profundidades de até 4,5 mm, atingindo o sistema musculoaponeurótico superficial (SMAS). Essa capacidade permite um efeito de “lifting” não invasivo, pois o SMAS é a mesma camada manipulada em cirurgias plásticas de face.
- Pode ser combinado com outros procedimentos estéticos: O uso do UMF em conjunto com preenchedores de hidroxiapatita de cálcio (CaHA) ou ácido hialurônico potencializa os resultados de rejuvenescimento. Recomenda-se, geralmente, realizar o UMF antes da aplicação de toxina botulínica ou preenchedores no mesmo dia.
MITOS SOBRE O ULTRASSOM MICRO E MACROFADO
✕ MITO: O tratamento é completamente indolor.
✓ Verdade: O evento adverso mais comum relatado é o desconforto breve durante a sessão. Embora tolerável para a maioria, o uso de anestésicos tópicos e analgésicos orais é rotineiramente empregado para gerenciar os níveis de dor.
✕ MITO: O UMF danifica a superfície da pele (epiderme).
✓ Verdade: A tecnologia do ultrassom microfocado permite que a energia atravesse a epiderme sem causar danos térmicos à superfície, focando apenas nas camadas profundas escolhidas. Isso elimina o tempo de recuperação (downtime), permitindo que o paciente retorne às atividades normais imediatamente.
✕ MITO: É o mesmo que o HIFU utilizado para tratar tumores.
✓ Verdade: Embora ambos utilizem ultrassom focado, o UMF utiliza níveis de energia muito menores e frequências mais altas do que o HIFU ablativo usado para destruir tumores ou tecido adiposo. O UMF é projetado especificamente para rejuvenescimento térmico não ablativo da pele.
✕ MITO: Os resultados são apenas para peles claras.
✓ Verdade: O UMF é considerado seguro e eficaz para diversos tipos de pele e etnias, incluindo fototipos mais altos (peles escuras), com baixo risco de hiperpigmentação pós-inflamatória em comparação com tratamentos a laser.
✕ MITO: O UMF atrofia a gordura facial
✓ Verdade: Quando utilizado corretamente para o tratamento de flacidez facial nas profundidades recomendadas, o ultrassom microfocado é projetado para preservar a gordura. Estudos clínicos mostram que sessões de UMF para lifting não causam efeitos adversos graves, como a atrofia de gordura facial, demonstrando que a tecnologia é seletiva para a camada alvo
✕ MITO: O UMF não é eficiente no tratamento da gordura localizada
✓ Verdade: para o tratamento de gordura localizada o sistema usado precisa ser realizado com tecnologias de ultrassom Macrofocado (profundidades entre 7mm e 13mm) para promover a destruição permanente de células de gordura (adipócitos) através de efeitos térmicos e mecânicos. Além de destruir a gordura, o tratamento pode aumentar a espessura e a firmeza dos septos fibrosos entre as camadas de gordura, o que contribui para uma aparência de pele mais lisa e firme na região tratada.
RISCOS E CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
Embora o tratamento seja amplamente considerado seguro, as fontes destacam que complicações graves podem ocorrer se o dispositivo for usado incorretamente por profissionais sem treinamento adequado:
- Lesões oculares: A aplicação inadequada nas pálpebras móveis pode causar opacidade da córnea, atrofia da íris e danos ao cristalino (catarata).
- Danos vasculares: Foi relatado um caso raro de dissecação da artéria carótida após tratamento no pescoço, possivelmente devido à profundidade focal inadequada ou posicionamento incorreto do transdutor.
- Lesões nervosas: Se a energia for aplicada sobre nervos faciais, pode resultar em neuropraxia temporária.
Em conclusão, o Ultrassom Micro e Macrofocado é uma ferramenta poderosa e versátil para o rejuvenescimento da face, corpo, fundamentada na bioestimulação de tecidos profundos e no tratamento da gordura localizada. A segurança do procedimento depende intrinsecamente do uso de sistemas de excelência e da experiência do operador.
REFERÊNCIAS BIOGRÁFICAS
- Khan, U., & Khalid, N. (2021). A Systematic Review of the Clinical Efficacy of Micro-Focused Ultrasound Treatment for Skin Rejuvenation and Tightening. Esta fonte é fundamental para explicar o mecanismo de remodelação do colágeno, a preservação da epiderme (ausência de downtime).
- Shome, D., et al. (2019), intitulado “Use of micro-focused ultrasound for skin tightening of mid and lower face.” Essa fonte relata que, usando protocolos adequados para o tratamento da flacidez da face, não foram observados efeitos colaterais graves, como a atrofia de gordura facial.
- Marquardt, K., et al. (2024). Microfocused Ultrasound With Visualization Induces Remodeling of Collagen and Elastin Within the Skin. Esta referência fornece as evidências histológicas sobre a criação de zonas de coagulação térmica (TCPs) e a regeneração de fibras de elastina e colágeno em diferentes profundidades.
- Vachiramon, V., et al. (2025). Microfocused Ultrasound in Regenerative Aesthetics: A Narrative Review on Mechanisms of Action and Clinical Outcomes. Esta revisão detalha o uso do MFU-V (com visualização) para atingir o SMAS e a sinergia do ultrassom com tratamentos combinados, como preenchedores de hidroxiapatita de cálcio.
- Du, F., et al. (2022). Case report: Traumatic carotid artery dissection after 7D High-Intensity Macro- and Micro-Focused Ultrasound treatment for skin laxity of the neck. Esta fonte documenta o risco raro, porém grave, de danos vasculares (dissecação da carótida) associados ao uso incorreto do dispositivo no pescoço.
- Marafon, S. B., et al. (2023). Cornea opacity, uveitis with iris atrophy and lens damage following cosmetic high-intensity ultrasound of the eyelid: a case report. Esta referência é a base para o alerta sobre lesões oculares graves decorrentes da aplicação inadequada nas pálpebras sem proteção ocular.
- Hwang, Y., et al. (2025): Do Different High-Intensity-Focused Ultrasound Frequencies Have Different Effects? A Histological Analysis.... Esta referência fornece as evidências histológicas (usando coloração Oil Red O) para a destruição de células de gordura e redução do tecido adiposo subcutâneo, validando a eficácia e os mecanismos de ação específicos para esse fim.
